terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Acerca dos semi-falantes na tradução consecutiva [vulgo "espírito de porco"]


Acerca dos semi-falantes na tradução consecutiva

Às vezes eu gostaria muito de ser tradutora de uma língua bastante incomum, um dialeto da África (como na intérprete vivida por Nicole Kidman em A intérprete) ou um javanês. Uma língua pouco conhecida, misteriosa. Uma língua respeitada como língua, idioma, instrumento de comunicação de uma dada cultura. Mas sou tradutora de Inglês e embora isto me traga mais oportunidades de trabalho do que as demais línguas, às vezes passo por situações no mínimo chatas.

Falo dos semi-falantes. Falo das pessoas que estudaram um pouco de Inglês, conseguem compreender o idioma e precariamente se comunicar. Falo das pessoas que com um nível básico de conhecimento de uma língua se acham capazes de julgar uma tradução. O mais interessante é que somente pessoas com um nível lingüístico baixo possuem esta visão preto no branco. Que aprenderam que book é livro e quase morrem se você se traduzir como publicação gráfica, que quando vêem a mesma palavra transformada em verbo já solicitam uma ambulância, o enfarto inevitável . Quem de fato conhece um idioma entende que tradução é um jogo de escolhas e que existem muitas possibilidades. E mais importante, cabe ao intérprete, aquele que está recebendo pelo serviço prestado, tomar estas decisões. Entristeço ao ouvir uma “correção” tola vinda de uma platéia. Entristeço pois quem nada entende do que está sendo dito acaba ficando confuso, quem realmente precisa da tradução, fica sem saber em quem acreditar.

Que fique claro que com isso não quero dizer que o intérprete é infalível e que não deve ser corrigido caso esqueça-se de um termo ou acabe passando por cima de uma informação importante. O que quero dizer é que é necessário tomar muito cuidado com o que achamos que sabemos e o mais importante – com o que dizemos e em que situação. Um comentário sobre um ponto da tradução pode ser feito no intervalo do evento com o próprio intérprete. Controlemos o próprio ego e percebamos que não é gritando o termo que você acredita ser a melhor escolha que você justificará o dinheiro investido nos seus três semestres de IBEU. Eu costumo dizer que essas pessoas não arranham no Inglês e sim arranham o próprio Inglês. No rigor absurdo de querer se justificar com o que sabem e mostrar que sabem mais que qualquer outro no evento, acabam perdendo o conteúdo em si. Pois uma coisa é certa, eu cobro para revisar traduções, mas as pessoas em eventos internacionais que teimam em constantemente revisar o intérprete na verdade estão pagando para trabalhar.


Jamie Barteldes

Ouvindo: Cry baby da Janis Joplin

Blogs de Tradutores e Intépretes

Pessoal, essa mensagem foi encaminhada através da TRADINFO e foi indicada pela Malena.

Jamie



Dear all,

Selecionei alguns blogs de Tradutores e Intérpretes, pois um aluno me pediu. Aproveito para compartilhá-los. Alguns são famosos e velhos conhecidos de vocês como o do Danilo e o do John, porém aqui vão esses e mais alguns:

John Milton: http://www.johnmilton.pro.br/home.htm

Tereza Sayeg: http://www.terezasayeg.com.br/blog/

Danilo Nogueira: http://www.tradutorprofissional.com/

Ulisses Wehby de Carvalho: http://www.teclasap.com.br/blog/
Fabio Said: http://fidusinterpres.com/
Se vc tem um blog, mande o endereço para lcarvalho@pucsp.br. Farei uma nova lista para encaminhá-la ao grupo.
abs,
Luciana

Luciana Carvalho
São Paulo - Brasil
55 11 3032 0969
55 11 84814996

Meu Lattes: http://lattes.cnpq.br/7061790632016950
Minha coluna: http://www.migalhas.com.br/mig_law_english.aspx
TradJuris: http://www.migalhas.com.br/arquivo_artigo/tradjuris.htm
Abstract Perfeito: http://www.migalhas.com.br/arquivo_artigo/o_abstract.htm

Pós-Graduação em tradução de Inglês, Espanhol e Italiano da UGF.

Já estão abertas as inscrições para as novas turmas do curso de Pós-Graduação em tradução de Inglês, Espanhol e Italiano da UGF.


· Profissionais prestigiados (prêmios Jabuti de tradução, tradutores técnicos renomados, tradutores de grandes obras literárias e filmes).
· Prática dos mais avançados programas de tradução em laboratório.
· Estudo de língua estrangeira em nível avançado.
· Diploma universitário de Especialista em Tradução reconhecido pelo MEC.
· Cursos aceitos pela Associação Brasileira de Tradutores e pelo Sindicato Brasileiro de Tradutores.

Duração: 18 meses
Carga horária: 360 horas
Aulas: no Rio, dois sábados por mês; nas outras cidades, um final de semana por mês.
Pela primeira vez, também na modalidade a distância.
Mais informações sobre as pós-graduações: disciplinas, professores, cidades, investimento, provas de acesso etc.
www.ugfpos.com

Observação importante:
Para ingressar na pós-graduação, os alunos deverão ter um diploma de graduação em qualquer área e realizar uma prova de língua estrangeira.

Datas de início :
Rio de Janeiro – 27 de março 2010
São Paulo– 27 de março 2010
Curitiba – 27 de março 2010
Brasília – 17 de abril 2010
Belo Horizonte – 17 de abril 2010
Porto Alegre – 15 de maio 2010
Salvador – 22 de maio 2010

Informações e matrículas:
São Paulo: (11) 27145656
Rio de Janeiro: (21) 3213 7742
Bahia: (71) 32640958 / (71) 32641093
Outros estados: 0800 772 0149

Coordenação acadêmica: (21) 3442 0756
Matrículas abertas. Vagas limitadas.

Atenciosamente,
Milena Vargas
Coordenação das Pós-Graduações em Tradução da UGF

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Postagem de Ulisses Wheby no blog Tecla Sap sobre pedidos de tradução de graça

Achei o texto realmente excelente, mostra bem o que os tradutores passam com constante pedidos de favores de tradução. Cabe a reflexão. Eis o link do post:

Você pede carona para taxista?


Ulisses Wehby de Carvalho

Assim como a grande maioria dos tradutores, estou farto de receber pedidos para fazer tradução de graça. Embora atue somente com tradução simultânea, não estou livre desse infortúnio. O folgado geralmente complementa com frases do tipo: “São só X páginas…”, “É para minha tese de mestrado e/ou doutorado…”, “Para você é fácil…”, “Quebra esse galho porque estou sem grana…” ou qualquer outra justificativa absurda. De agora em diante, tradutores do mundo, uni-vos! Respondam ao pedido insólito com a singela pergunta: “Você pede carona para taxista?”. Se você não tem cara-de-pau de pedir carona para taxista, por que você pediria para um tradutor profissional fazer tradução de graça?

caronaHá uma frase atribuída a Cacilda Becker que pode ser também uma excelente resposta: “Não me peça para dar de graça a única coisa que tenho para vender.”.

Reza a lenda que a esposa de Ruy Barbosa, cansada de ver seu marido trabalhar de graça, perguntava àqueles que o procuravam se haviam acertado um preço pelo serviço. Como sempre ouvia uma resposta negativa, ela pedia para o “cliente” voltar e combinar com o “Águia de Haia” uma remuneração justa. Para justificar a “indelicadeza” dava uma indireta: “O Conselheiro come…”.

Em uma série de crônicas, o João Ubaldo Ribeiro conta essa história e aproveita para também reclamar da quantidade de trabalho gratuito que se espera dele. São convites para ser jurado em concursos literários e inúmeros pedidos para escrever resenhas de lançamentos. Tudo, é claro, “na faixa”. A frase célebre “O Conselheiro come…” também dá nome a um dos livros de João Ubaldo.

Não deixe de ler o texto “Sem noção“, do blog do Emílio Pacheco, porque ele explica muito bem a diferença entre “folgado” e “sem noção”.

Não tenho a ilusão, é claro, de que esta humilde contribuição irá acabar com a malandragem no mundo. A intenção é apenas oferecer aos profissionais sérios e dedicados uma maneira prática de se livrar dessa situação incômoda e, infelizmente, bastante comum.

Abraços a todos