quarta-feira, 22 de julho de 2009

Postagem de Ulisses Wheby no blog Tecla Sap sobre pedidos de tradução de graça

Achei o texto realmente excelente, mostra bem o que os tradutores passam com constante pedidos de favores de tradução. Cabe a reflexão. Eis o link do post:

Você pede carona para taxista?


Ulisses Wehby de Carvalho

Assim como a grande maioria dos tradutores, estou farto de receber pedidos para fazer tradução de graça. Embora atue somente com tradução simultânea, não estou livre desse infortúnio. O folgado geralmente complementa com frases do tipo: “São só X páginas…”, “É para minha tese de mestrado e/ou doutorado…”, “Para você é fácil…”, “Quebra esse galho porque estou sem grana…” ou qualquer outra justificativa absurda. De agora em diante, tradutores do mundo, uni-vos! Respondam ao pedido insólito com a singela pergunta: “Você pede carona para taxista?”. Se você não tem cara-de-pau de pedir carona para taxista, por que você pediria para um tradutor profissional fazer tradução de graça?

caronaHá uma frase atribuída a Cacilda Becker que pode ser também uma excelente resposta: “Não me peça para dar de graça a única coisa que tenho para vender.”.

Reza a lenda que a esposa de Ruy Barbosa, cansada de ver seu marido trabalhar de graça, perguntava àqueles que o procuravam se haviam acertado um preço pelo serviço. Como sempre ouvia uma resposta negativa, ela pedia para o “cliente” voltar e combinar com o “Águia de Haia” uma remuneração justa. Para justificar a “indelicadeza” dava uma indireta: “O Conselheiro come…”.

Em uma série de crônicas, o João Ubaldo Ribeiro conta essa história e aproveita para também reclamar da quantidade de trabalho gratuito que se espera dele. São convites para ser jurado em concursos literários e inúmeros pedidos para escrever resenhas de lançamentos. Tudo, é claro, “na faixa”. A frase célebre “O Conselheiro come…” também dá nome a um dos livros de João Ubaldo.

Não deixe de ler o texto “Sem noção“, do blog do Emílio Pacheco, porque ele explica muito bem a diferença entre “folgado” e “sem noção”.

Não tenho a ilusão, é claro, de que esta humilde contribuição irá acabar com a malandragem no mundo. A intenção é apenas oferecer aos profissionais sérios e dedicados uma maneira prática de se livrar dessa situação incômoda e, infelizmente, bastante comum.

Abraços a todos

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